"Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido". Lucas, 8:17,12:2 em Mateus10:26

"Corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene". Amós (570-550 a.c.)

"Ninguém pode ser perfeitamente livre até que todos o sejam".

Santo Agostinho

terça-feira, 24 de julho de 2012

Memórias da Ditadura Militar de 64

Fotos inéditas de ex-militante mostra sequelas da tortura na ditadura
Uma fotografia inédita da ex-militante de esquerda Vera Sílvia Magalhães (1948-2007), tirada em 1970, revela os efeitos da tortura a que foi submetida em um prédio do Exército no Rio de Janeiro.
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1124792-foto-inedita-de-ex-militante-mostra-sequelas-da-tortura-na-ditadura.shtml
Vera também participou de assaltos a banco.
"Não tinha visto essa foto. Eu tinha que segurá-la porque, naqueles dias, ela não conseguia se sustentar em pé, devido às torturas", contou Cid à Folha.
Em outra imagem, essa publicada pelos jornais na época, Vera foi fotografada numa cadeira, diferentemente dos demais presos.
As fotografias foram tiradas momentos antes de o grupo ter sido trocado pelo embaixador alemão Ehrenfried Von Holleben, também sequestrado por esquerdistas.
Do Rio de Janeiro, o grupo seguiu para a Argélia. Parte regressou clandestina ao Brasil, e alguns acabaram mortos pela ditadura militar. No exílio, Vera estudou sociologia na França.
Retornou ao Brasil em 1979, após a aprovação da Lei da Anistia.
Em depoimento prestado à Câmara dos Deputados em 2003, Vera confirmou que as torturas a impediram de ficar em pé pouco antes de ser levada para Argélia. Ela disse que "nunca mais se recuperou fisicamente".
SEXTA-FEIRA SANTA
"Fui a única torturada na Sexta-Feira Santa na Polícia do Exército. E eles me disseram: 'Você vai ser torturada como homem, como Jesus Cristo'", contou Vera.
Ainda no depoimento à Câmara, Vera classificou a tortura que sofreu como "inteiramente desmesurada".
"Para uma mulher, acho que exageraram mesmo. Fiquei cheia de sequelas, cheia de problemas." Vera morreu em 2007, vítima de câncer.
 
Ditadura usou laudo militar para prender menor de idade
A Justiça Militar reconheceu um laudo de "maioridade mental" para manter um adolescente de 17 anos preso durante a ditadura.
A revelação foi feita por Cesar Benjamin, 58, em depoimento feito à Comissão da Verdade da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), seccional Rio, na sexta-feira.
No relato, Benjamin conta que depois de ter sido detido pelo Exército na Bahia, em 1970, aos 17 anos, foi trazido para o Rio. Meses depois foi examinado por um tenente-médico, identificado como Leuzzi, que atestou que sua idade mental era de 35 anos.
Foto do SNI mostra preso bem de saúde 11 dias antes da morte
Fotografias inéditas em poder do extinto SNI (Serviço Nacional de Informações), hoje no Arquivo Nacional, em Brasília, confirmam que o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira (1944-1971) estava em boas condições de saúde quando foi preso pelo DOPS do Rio de Janeiro, em 1971.
Onze dias depois da foto, em 12 de agosto daquele ano, Ferreira morreu no Hospital Central do Exército, para onde foi transferido após ter sido torturado no DOPS.
Ferreira havia sido parado em uma blitz policial e, dias depois, entregue ao Exército. Em sua casa, a polícia apreendeu textos considerados "subversivos".
Engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira, dias antes de sua morte em 1971
As fotografias obtidas pela Folha eram desconhecidas de seus familiares. Em 1994, em decorrência de uma batalha legal empreendida pela família, uma decisão da 9ª Vara Federal do Rio responsabilizou o Estado por sua prisão, tortura e morte.
Ferreira aparece nas fotos sem qualquer marca de violência. Sua irmã, a professora Maria Coleta Oliveira, se disse surpresa com a existência das imagens, já que a família havia feito inúmeras buscas em arquivos oficiais.
A explicação pode estar em um detalhe: na legenda, feita em máquina de escrever, o nome de Raul Nin foi grafado erroneamente como "Min".
"Na versão oficial, não disseram que ele sofreu tortura, mas que teve uma doença no fígado, porque tinha manchas no corpo. Na verdade [quando foi preso], estava em perfeitas condições de saúde."
No livro "Os Anos de Chumbo" (ed. Relume Dumará, 1994), o general Adyr Fiúza de Castro, do I Exército, reconheceu que Ferreira morreu em decorrência das torturas: "Quando foi entregue ao Exército, estava com umas marcas, havia sido chicoteado com fio no DOPS".
 

sábado, 21 de julho de 2012

Anúncio ‘cola’ Pelé e Maradona

Um anúncio bem estranho está gerando polêmica no Equador.

Uma agência de publicidade resolveu unir Pelé e Maradona na mesma publicidade, chamada de "Peladona" .

O produto, uma espécie de cola, promete "uniões de alta pressão"

Veja a montagem:

Com câncer no pâncreas, Jefferson será julgado no hospital

Com câncer, Jefferson será julgado no hospital

247 – Roberto Jefferson vive como personagem de uma tragédia grega. Às vésperas do julgamento do mensalão, ele foi diagnosticado com um tumor no pâncreas e será operado no próximo dia 28. Ou seja: acompanhará o julgamento do leito de um hospital.
Nesta manhã, em seu blog, ele comentou a decisão do Tribunal de Contas da União, que validou os contratos da DNA, agência de publicidade de Marcos Valério, com o Banco do Brasil.
Leia a nota “Pés pelas mãos”:
TCU decidiu que foi regular o contrato entre a empresa DNA, de Marcos Valério, e o Banco do Brasil, nos termos do relatório da ministra Ana Arraes (mãe do governador Eduardo Campos). A importância da decisão não está no TCU, mas no STF, já que, explicam os jornais, este contrato seria uma das bases da acusação da Procuradoria no processo do mensalão. O julgamento nem começou, mas os exageros da Procuradoria já começam a derrubar o processo, mostrando, a princípio, que a acusação meteu os pés pelas mãos e pode ter dificuldade de, assim, ficar em pé.
COMENTÁRIOS:

Gabriel Dimas 
Esse moço paralisou o Brasil por dois anos, trazendo para todos nós um prejuízo enorme. Na hora "H" disse que o "mensalão" nunca existiu. Foi uma retórica parlamentar. Mas como humanos que somos, não devemos desejar-lhe o mal. Que ele consiga vencer esse momento difícil. E viva o bastante para se arrepender do que fez.
Manoel Fialho 
Veja como caminham as coisas. Este Bob Jeferson causou tantos sofrimentos com suas mentiras e agora tá ai com cara de quem não vai durar uma semana. Eu não desejo mal pra ninguém, mas parece até castigo de Deus!
Marc Firenze
Roberto Jefferson me faz lembrar Debóstenes Torres.  Ambos têm a mesma “pegada”.  Ferinos de oratória, amparados pela mídia sedenta de sangue, figuras histriônicas e caricatas que sempre foram, tripudiaram feito vampiro “saramalígno”  em  ataque às vítimas indefesas.
No desfrute de plena popularidade que angariou, insuflada pela mídia e seus oposicionistas comparsas, Jefferson brilhou sob as luzes da ribalta como “guerreiro santo”, aquele que destroçaria o governo Lula.  Dedo em riste, palavra fácil, assacou “verdades” destruidoras.
Nessa foto, não mais reconheço o espalhafatoso tenor da ópera bufa! Está decaído e abatido.  E que a humildade seja sua companheira nessas horas extremamente tenebrosas ao corpo e, muito mais, ao espírito.  

Crédito:
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/70826/Com-c%C3%A2ncer-Jefferson-ser%C3%A1-julgado-no-hospital-Com-c%C3%A2ncer-Jefferson-ser%C3%A1-julgado-hospital.htm

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Jornalista Janio de Freitas diz que jornais estão perdidos

Janio chora e diz que jornais estão perdidos

AOS 80 ANOS, COLUNISTA JANIO DE FREITAS SE EMOCIONA AO RECEBER HOMENAGEM PELO CONJUNTO DA OBRA; NA SUA VISÃO, DIÁRIOS ESTÃO COMETENDO SUICÍDIO AO TENTAR COPIAR A INTERNET; LEIA REPORTAGEM DE CLÁUDIO JULIO TOGNOLLI

13 de Julho de 2012
Claudio Julio Tognolli _247 - Janio de Freitas, colunista da Folha de S. Paulo, tido e havido como o maior mito vivo do jornalismo, chorou. Com direito a plateia de 500 pessoas, e a lenço branco de cambraia – que ele, numa delicadeza de príncipe, sacou do bolso e empurrou contra os olhos. "Vou acusá-los de tentativa de homicídio porque vocês tentaram matar de emoção um senhor de idade", declarou Janio.
O jornalista foi homenageado no sétimo congresso internacional de jornalismo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji. Janio, que este ano completa 80 anos, dividiu as honras de homenageado com Tim Lopes, assassinado por traficantes cariocas a 2 de junho de 2002.
Janio de Freitas assinalou que "jornais só cometem o suicídio ou por problemas na redação ou na administração, e o que tenho visto agora é os jornais estarem perdidos porque tentam copiar a internet e acabam perdendo a sua essência. Os jornais devem se voltar a eles mesmos, e deixar que a Internet, que ainda não encontrou um rosto, encontre o seu". Janio lembrou que quando a TV surgiu massivamente, nos anos 60, a mesma postura foi adotada: a de que eles acabariam pelo surgimento de uma nova mídia. "A funcionalidade do jornal continua imbatível. Mas ele precisa parar de copiar a internet."
Janio começou a carreira como desenhista na Revista do Diário Carioca, em 1953, aos 21 anos. Em pouco tempo, assumiu o cargo de diagramador e acumulou a função de repórter. Também foi fotógrafo e redator-chefe na Manchete. Fez parte da equipe que renovou a revista, experiência que repetiria a partir de 1957 no Jornal do Brasil. No JB foi responsável pela introdução de inovações na forma e no conteúdo que moldaram o jornalismo feito no Brasil a partir dos anos 60.
Desde 1980 trabalha na Folha de S.Paulo onde passou a publicar sua coluna política em 1983. Nesse espaço, publicou um de seus maiores furos: a comprovação da fraude na concorrência da ferrovia Norte-Sul, que percorreria 1.600 quilômetros de Goiás ao Maranhão. Orçada em 2,4 bilhões de dólares, era um dos principais projetos do governo José Sarney. A denúncia provocou a anulação da concorrência e o adiamento das obras da ferrovia. A reportagem rendeu-lhe cinco prêmios de jornalismo, entre os quais o Esso e o Prêmio Internacional Rei de Espanha.
Janio teve como mestres de cerimônias na homenagem os jornalistas Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, Marcelo Moreira, da TV Globo e presidente da Abraji, e Matinas Suzuki Jr – hoje editor da Companhia das Letras. Como ex-diretor executivo da Folha de S. Paulo, Matinas Suzuki contou por 20 minutos detalhes inéditos da vida de Janio: como ele ter abandonado as carreiras de pianista e piloto de aviões para se tornar um mito do jornalismo.
Voz embargada, falando em pausas, Janio despediu-se da plateia mandando um beijo. E, por três vezes, repetiu que se os jornais estão em crise de circulação é porque lhes falta se voltarem às suas raízes e tradições – e não continuarem a copiar a internet.
COMENTÁRIO:
Os jornais estão em crise por falta de credibilidade e devido à morosidade inerente em fazer chegar os fatos a seus leitores, que em boa medida, são apresentados na versão a atender aos seus interesses, nem sempre consentânea com a opinião pública.  A internet, veloz e dotada de multiplicidade de opinião, muitas vezes consegue captar o anseio popular e apresentar uma visão mais real dos acontecimentos.

Demóstenes Torres, o exterminador da Ética

Deu na VEJA: Os mosqueteiros da ética
Eles são poucos. Mas é quase tudo com que os brasileiros podem contar no Congresso para que os interesses particulares não dominem totalmente a política.
Existem alguns poucos batalhadores da ética no Congresso Nacional. Na Câmara, a figura que sobressai sempre que aparece um escândalo é a do deputado Fernando Gabeira, do PV do Rio de Janeiro.

No Senado, Pedro Simon, do PMDB gaúcho, e Jefferson Peres, do PDT do Amazonas, são referências constantes de um comportamento correto e íntegro.

Outros dois senadores têm aparecido como sentinelas avançadas da sociedade brasileira. Um deles é Jarbas Vasconcelos, do PMDB de Pernambuco.  
O outro é o incansável senador Demostenes Torres, do DEM de Goiás. No Conselho de, digamos assim, Ética do Senado, ele é uma das únicas vozes a exigir investigações sérias e denunciar as manobras para absolver sem apurar. Demostenes Torres entende o que muitos senadores fazem questão de não ver: o Senado está se desmoralizando numa velocidade avassaladora. A esperança que resta é que esse pequeno conselho de mosqueteiros da ética consiga derrotar as malandragens do grande Conselho de, digamos assim, Ética do Senado.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Demóstenes foi aquilo que Veja quis que fosse

11 de Julho de 2012 247 – Chegou o grande dia. O senador Demóstenes Torres (sem partido/GO) será finalmente cassado nesta quarta-feira. Com sua queda, cairá também a hipocrisia da sociedade brasileira que, nos últimos anos, foi alimentada por um discurso político e ideológico, de linhagem udenista, construído por falsos moralistas – no Congresso, e fora dele.
Neste jogo, papel de destaque deve ser atribuído à revista Veja. De certa maneira, foi a publicação da Editora Abril que moldou o comportamento do senador goiano. Demóstenes não se transformou em “mosqueteiro da ética” por vocação. Apenas exerceu esse papel porque, rapidamente, percebeu que era o que lhe rendia mais citações nas páginas da revista e alguns segundos no Jornal Nacional.
Ex-secretário de Segurança de Goiás, ele poderia ter sido um “xerifão”, por exemplo, na linha do “bandido bom é bandido morto”. Vestiu um papel mais civilizado, porque havia uma avenida aberta.
Em julho de 2007, quando Veja movia uma campanha contra o senador Renan Calheiros – não por razões éticas, mas porque o político alagoano liderava a ala do PMDB que se aliaria ao PT, e não ao PSDB nas eleições seguintes –, a revista elegeu os “mosqueteiros da ética”. E, claro, Demóstenes estava lá.
“O outro (mosqueteiro da ética) é o incansável senador Demostenes Torres, do DEM de Goiás. No Conselho de, digamos assim, Ética do Senado, ele é uma das únicas vozes a exigir investigações sérias e denunciar as manobras para absolver sem apurar. Demostenes Torres entende o que muitos senadores fazem questão de não ver: o Senado está se desmoralizando numa velocidade avassaladora. A esperança que resta é que esse pequeno conselho de mosqueteiros da ética consiga derrotar as malandragens do grande Conselho de, digamos assim, Ética do Senado”, dizia o texto da revista.
Chega a ser risível, portanto, ver Demóstenes protestar diante de um plenário vazio contra os julgamentos sumários da mídia. Ora, justamente ele que era sempre o primeiro a se apresentar ao batalhão de fuzilamento?
Mais recentemente, Demóstenes concedeu entrevista de páginas amarelas à revista Veja. Posou vestindo a roupa que lhe foi costurada pela Abril e disse: “Só nos sobrou o Supremo”. Segundo ele, até mesmo o Senado havia passado a reagir bovinamente diante dos escândalos sucessivos de corrupção (denunciados, é claro, por Veja). “Antes do mensalão, ainda havia certo pudor dos parlamentares em abrir investigações, quebrar sigilos e dar uma satisfação ao eleitor”, disse o (ainda) senador goiano.
Pois, se é assim, nesta quarta-feira, o Senado se reconciliará com a opinião pública cassando o Senador Cachoeira. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

1932: a guerra de 80 anos que ainda não acabou

1932: a guerra de 80 anos que ainda não acabou
09 de Julho de 2012
Leonardo Attuch _247 – Eis algumas perguntas intrigantes para um forasteiro, como eu e milhões de brasileiros, que constrói sua vida em São Paulo:
1) Por que não há, na capital paulista, ao contrário das outras capitais metrópoles, uma única rua ou avenida que homenageie Getúlio Vargas?
2) Por que depois de Júlio Prestes, eleito presidente em 1930, mas não empossado, nenhum outro paulista conseguiu tal feito? (Jânio Quadros nasceu no Mato Grosso e Fernando Henrique Cardoso no Rio de Janeiro)
3) Por que na bandeira paulista há a inscrição “Non Ducor, Duco” (Não sou conduzido, conduzo)?
4) Por que a data mais importante de São Paulo, o Nove de Julho, celebra um movimento que poderia ter separado o estado do restante do País?
5) Afinal, a revolução constitucionalista de 1932 foi um movimento em defesa da democracia ou uma tentativa frustrada de golpe, arquitetada pelas oligarquias cafeeiras de São Paulo, que se sentiam ameaçadas pela Revolução de 1930?
Essas perguntas podem parecer distantes, mas, até hoje, ecoam na política brasileira.
 Sim, estão mais presentes do que se imagina. Dias atrás, ao iniciar sua corrida pela prefeitura de São Paulo, José Serra não falou absolutamente nada sobre a cidade que pretende comandar. Tratou sua eventual vitória como uma batalha democrática a ser vencida. “O que acontecer em São Paulo é fundamental para o que vai acontecer no Brasil”, disse Serra. “O que está em jogo aqui é o futuro de um sistema democrático, republicano, que respeita as oposições, que respeita a democracia, que respeita a liberdade de imprensa. A nossa vitória aqui significa afirmar a luta democrática do povo brasileiro”.
O Brasil vive hoje sua plenitude democrática, nunca tantos se expressaram como agora, mas o discurso das oposições, frequentemente, trafega pela defesa de uma liberdade, que não está ameaçada. De todo modo, Serra se coloca como um dos heróis de 1932, que estão homenageados no Obelisco do Ibirapuera, porque se levantaram e pegaram em armas para enfrentar Getúlio Vargas.
São Paulo não gosta de Getúlio. E, de certa forma, também rejeita o chamado “lulismo”. Por quê? Certa vez, fiz essa pergunta ao economista Delfim Netto. E ele, com a fina ironia de sempre, respondeu: “Os paulistas nunca perdoaram o bem que Getúlio fez por São Paulo”.

Em 1959, Delfim Netto publicou um trabalho chamado “O problema do café no Brasil”, considerado um clássico da historiografia econômica. Delfim demonstrou que a economia cafeeira era intrinsicamente geradora de instabilidades cambiais. E quem começou a libertar o Brasil desses ciclos foi justamente Getúlio Vargas, ao impulsionar o processo de industrialização do País.
Se os paulistas rejeitam Getúlio e o “lulismo”, o ex-presidente também tem um caso mal resolvido com São Paulo. Depois de cumprir seus dois mandatos na presidência da República, Lula quer porque quer tomar a principal cidadela tucana no País. E sempre fez de Getúlio seu principal referencial – mesmo em imagens oficiais, como aquela em que sujou as mãos de petróleo. Se Fernando Henrique tomou posse prometendo enterrar a era Vargas, Lula tratou de resgatá-la.


Ao abordar o Nove de Julho de 1932, Lula tratou a data que os paulistas chamam de revolução como golpe. “Lamentavelmente, uma parte da elite brasileira, inclusive uma parte da elite intelectual, inconformada porque não conseguiu ganhar o golpe de 32... que chama de revolução, mas aquilo foi uma tentativa de golpe [...] não se conforma... [então] é muito triste, aqui em São Paulo a gente não encontra uma rua com o nome de Getúlio Vargas", disse o ex-presidente, em 2010, ao inaugurar um auditório do Sindicato dos Metalúrgicos em homenagem a Getúlio.
José Serra, naturalmente, pensa de forma oposta. Como governador de São Paulo, publicou, pela Imprensa Oficial, um livro do historiador Marco Antônio Villa – um dos maiores críticos do ex-presidente Lula – que resgata o movimento de 1932 e até mesmo um livreto em quadrinhos para distribuição nas escolas. Anos atrás, também publicou um artigo na Folha de S. Paulo sobre o Nove de Julho, onde se lê:
“A participação da juventude dava ao movimento um ar de esperança na construção de um país democrático. Mais uma vez, estava sendo jogada a sorte do Brasil. Após a independência e a República, o desafio era o compromisso intransigente e inegociável com a democracia.
Enganam-se os que imaginam que recordar 1932 é simplesmente remexer no velho baú da história. É muito mais que isso: é uma bela data da história do Brasil e de São Paulo. Seus sinônimos são a liberdade, o voto secreto, a eleição livre, a independência dos três Poderes, a Constituição.”
José Serra talvez não sonhe mais com a presidência. Talvez seja um Júlio Prestes redivivo, que não chegou lá por ter sido traído pelos mineiros (leia-se Aécio Neves). Afinal, muitos historiadores avaliam que a política do café com leite foi rompida porque os mineiros se aliaram aos gaúchos na Revolução de 1930. E, dois anos depois, teriam deixado os paulistas sozinhos no combate contra as forças getulistas.
Lula, que se vê como herdeiro de Getúlio, talvez volte em 2018, ou mesmo em 2014, caso Dilma decida não concorrer à reeleição. Se isso ocorrer, mesmo que em eleições livres, podem escrever: as forças de São Paulo, lideradas por nomes como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, pegarão em armas para defender a ordem constitucional. Golpe ou revolução?


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Está chegando a hora do julgamento do senador escroque!

Demóstes Torres, um dos maiores paladino da Oposição PSDB-DEM-PPS, será julgado no próximo dia 11 do corrente:

Veja a defesa que ele fez diretamente da tribuna do Senado




A imprensa paulista fardada de 1932

A imprensa paulista de 1932 é precursora do PIG?
Ela ignorou a superioridade das forças federais, fez campanha. Exceção, um jornal pró-Getúlio foi até destruído. Com a derrota de SP, jornalistas foram presos.
Se nas guerras a primeira vítima costuma ser a verdade, na Revolução de 1932 não foi diferente.
O que foi diferente, isto sim, foi seu algoz. Em geral, a verdade sucumbe diante do conflito de versões dificilmente verificáveis pela imprensa. No caso da chamada Revolução Constitucionalista, no entanto, foi da própria imprensa que partiram os disparos que atingiram a verdade.
Não se trata da verdade abstrata, que resulta de convicções, de uma visão de mundo, de um entendimento particular sobre o lugar que São Paulo deveria ocupar naquela nova fase da República.
Trata-se, apenas, da verdade factual. Mal dado o primeiro tiro, em 9 de julho, as manchetes já tratavam o movimento como vitorioso, e com pouca variação mantiveram o mesmo tom até quase a derrota final, em outubro.
Nesse período, os jornais paulistas abriram mão de fazer jornalismo. Durante os três meses que duraram os combates, optaram por privilegiar uma campanha para elevar o moral da população e, sobretudo, das tropas.
Pouco interessava a informação objetiva da superioridade das forças federais, o fato incontestável de que tinham mais armas e eram mais bem treinadas.
No início, as conquistas pontuais dos soldados de São Paulo foram superestimadas. Mais tarde, os avanços das forças inimigas seriam minimizados.
Não é difícil entender por que a imprensa paulista agia assim. Se os jornais escolheram mobilizar em vez de informar, é porque haviam vestido farda bem antes da deflagração do conflito.
A revolução foi, em larga medida, articulada na sede do jornal mais importante da cidade na época, "O Estado de S. Paulo", então com mais de meio século de existência.
Toda a imprensa paulista, no entanto, logo aderiu à causa. O "Diário de S. Paulo" e o "Diário da Noite", ambos de Assis Chateaubriand, "A Gazeta", de Cásper Líbero, e a "Folha da Manhã" e a "Folha da Noite" (que em 1960 seriam fundidos na Folha de S.Paulo), todos eles se transformaram em trincheira.
Houve, efetivamente, um efêmero "Jornal das Trincheiras", com propaganda mais aberta, mas a diferença em relação aos demais jornais era mais de grau do que de natureza.
Também por um breve período circulou "O Separatista", cuja razão de ser estava expressa no próprio título. Embora não contasse com o endosso da maioria da imprensa, a ideia representava uma dissidência tolerada.
O que os jornais não podiam era ser contra São Paulo. Um jornal tenentista, que apoiava o governante então provisório, Getúlio Vargas, teve sua sede destruída pouco antes do 9 de julho.
O esforço jornalístico de guerra contou com a participação especial do rádio. Como veículo de comunicação de massa, o rádio é contemporâneo da Revolução de 32. Nasceu na Record, que embalava o suposto noticiário com uma marcha militar, a "Paris Belfort".
Não havia espaço para isenção. A imprensa paulista não apenas refletia os anseios da sociedade local. Também os insuflava, criando um círculo vicioso. Derrotadas as forças de São Paulo, jornalistas e donos de jornais foram presos e exilados. Do ponto de vista da história da imprensa, porém, a grande vítima foi a verdade.
OSCAR PILAGALLO, 56, jornalista, é autor de "História da Imprensa Paulista" (Três Estrelas)


http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/68637/A-imprensa-paulista-de-1932-%C3%A9-precursora-do-PIG.htm



“Não há compreensão da importância do Mercosul”

“Não há compreensão da importância do Mercosul”
Por Jornal Sul 21
09 de Julho de 2012
Felipe Prestes _ Sul 21- Gerou especulações o pedido de renúncia do diplomata brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães do cargo de alto representante geral do Mercosul bem em meio à crise política do Paraguai. Em conversa com Sul21, Guimarães negou que sua saída tenha qualquer relação com a crise, embora em um determinado momento tenha dito “acredito que não”, deixando em aberto esta possibilidade. “A reunião do Conselho era o momento oportuno para minha renúncia”, garantiu.
Samuel Pinheiro Guimarães afirmou que as razões para sua saída estão todas no relatório que ele apresentou ao pedir a renúncia. No documento, ele qualifica o atual momento do bloco como “claudicante”. O diplomata aponta a necessidade de mais reuniões entre os presidentes dos países e de maior convergência entre o trabalho de cada área governamental com suas correlacionadas nos vizinhos. “Não há uma compreensão da importância estratégica do bloco para a América do Sul”, disse.
Em conversa de cerca de 20 minutos, o diplomata abordou estes e outros entraves do Mercosul. Também falou sobre o ingresso da Venezuela, o golpe no Paraguai e na falta de interesse da grande imprensa do Brasil com o bloco. “Não tem nenhum interesse em que o Mercosul seja um sucesso. Procura sistematicamente dizer que o Mercosul é um fracasso”.
Sul21 – Gostaria de falar da sua saída do Mercosul.
Samuel Pinheiro Guimarães – Acho que não é necessário. Os motivos estão no relatório em que comunico a renúncia.
Sul21 – Então, não teve qualquer relação com a situação do Paraguai?
Samuel Pinheiro Guimarães – Não, não tem nenhuma relação com o Paraguai. Eu já tinha decidido antes.
Sul21 – Pelo momento em que ocorreu, a situação do Paraguai não foi um estopim para sua saída?
Samuel Pinheiro Guimarães – Não foi, não. Acredito que não, porque era o momento da reunião do Conselho onde eu tinha que apresentar meu relatório. Então, era o momento oportuno para eu apresentar minha renúncia.
Sul21 – Era uma coisa que o senhor amadurecia há bastante tempo, então.
Samuel Pinheiro Guimarães – Sim.
Sul21 – Como é que o senhor analisa as medidas que foram tomadas pelo Mercosul, a suspensão do Paraguai sem sanções econômicas?
Samuel Pinheiro Guimarães – A suspensão do Paraguai decorre de se ter verificado naquele país um golpe, em que foi deposto um presidente eleito diretamente pelo povo por um Congresso que é eleito por um sistema de listas, onde as pessoas não propriamente votam. Não receberam voto popular. Este Congresso é dominado por partidos tradicionais paraguaios, que se aproveitaram de procedimentos feitos de última hora para promover a deposição do Presidente Lugo. Então, a sanção foi a suspensão. Não havia interesse dos outros países de causar um prejuízo ao próprio povo paraguaio com sanções econômicas. O Paraguai é um país mediterrâneo, subdesenvolvido, com baixos índices sociais de toda ordem.
Sul21 – A entrada da Venezuela causou controvérsia. Como o senhor analisa? Talvez fosse melhor esperar o fim da suspensão do Paraguai?
Samuel Pinheiro Guimarães – O fato objetivo é que o ingresso da Venezuela tinha sido já, de início, aprovado pelo próprio Paraguai, no protocolo de intenções. As negociações com a Venezuela, do ponto de vista técnico, já terminaram desde 2006. E o Senado paraguaio vinha impedindo o ingresso da Venezuela no Mercosul. O Senado do Paraguai talvez jamais viesse a aprovar o ingresso da Venezuela, tendo em vista sua composição altamente conservadora. Naturalmente, há um interesse muito maior de fissura política na América do Sul, de impedir o ingresso da Venezuela no Mercosul e de eventualmente derrubar o Presidente Chávez. Esses interesses vinham impedindo o ingresso da Venezuela. Com o Paraguai suspenso, por estar em um regime considerado não-democrático pelos outros três estados, os outros estados podem perfeitamente aceitar a Venezuela. Há uma preocupação muito legalista com o ingresso da Venezuela, mas essas pessoas consideram que não houve golpe no Paraguai. Na realidade não estão preocupadas com o Paraguai, mas com a entrada da Venezuela no Mercosul.
Sul21 – Qual a importância da entrada da Venezuela no Mercosul?
Samuel Pinheiro Guimarães – Em primeiro lugar, a Venezuela é um país extremamente rico em recursos naturais, com um mercado grande, 20 e poucos milhões de habitantes. É o país com as maiores reservas de petróleo do mundo neste momento, à frente da Arábia Saudita. Então, há um interesse muito grande que este país volte à órbita norte-americana. O ingresso da Venezuela no Mercosul protege ela de golpes de estado que poderiam ocorrer.
Sul21 – E comercialmente?
Samuel Pinheiro Guimarães – No caso da Venezuela, o Brasil teve superávit de US$ 3 bilhões no ano passado. A Venezuela tem um processo de desenvolvimento, de construção de sua infraestrutura, de seu parque industrial, e até mesmo de sua agricultura. E nisto ela depende da cooperação de países como Brasil, Argentina, Uruguai. A própria Venezuela, até pouco tempo, fornecia petróleo em condições favorecidas ao Paraguai.
Sul21 – Pelo que se depreende do relatório, o senhor sentiu que os estados membros do Mercosul fazem pouco esforço para que o bloco seja mais efetivo. É isso mesmo?
Samuel Pinheiro Guimarães – Acho que não há uma compreensão da importância estratégica do bloco para a América do Sul. Não há uma compreensão do que deve ser o Mercosul, de forma alguma.
Sul21 – A grande imprensa brasileira costuma apontar o protecionismo argentino como principal fator para que o bloco não engrene. Pelo seu relatório, o senhor tem uma visão diferente.
Samuel Pinheiro Guimarães – Totalmente diferente. O comércio entre os países do bloco se multiplicou por dez, muito mais do que a expansão do comércio exterior destes países. E é um comércio qualitativamente superior, porque a maior parte das exportações do Brasil, mas também dos outros países, dentro do bloco é de produtos industrializados. Enquanto que nossas exportações para a Europa e para a China é de produtos primários. Temos tido superávit extraordinário com a Argentina nos últimos anos. Não há uma compreensão de como deve ser o comércio nem como deve ser o desenvolvimento econômico dos países da região.
Sul21 – O senhor fala no relatório que Chile, Colômbia e Peru estão impossibilitados de participar do Mercosul.
Samuel Pinheiro Guimarães – Eles não podem participar, porque tem acordos de comércio não só com os EUA, mas com muitos outros países, então eles não podem participar da Tarifa Externa Comum. Também não podem ter políticas industriais comuns, porque estão impedidos pelos acordos que assinaram. Nós temos interesse pela cooperação econômico com eles, mas eles não podem fazer parte do Mercosul pelas opções que eles adotaram.
Sul21 – O senhor diz que é ruim para potências externas a existência do Mercosul. O senhor vê potências operando para desestabilizar o bloco, a partir do que está acontecendo no Paraguai?
Samuel Pinheiro Guimarães – Não, não tem nenhum… Agora, como eu disse no relatório, não há interesse nenhum das grandes potências, nem dos grandes blocos de países, que se fortaleçam outros blocos, porque preferem negociar com países individualmente. Então, para a União Europeia é muito melhor negociar com um país isolado do que com um país que faz parte de um bloco. Isto é normal. Assim como os EUA, depois de um certo período, teve posição forte em relação à União Europeia. É mais fácil negociar com a Bélgica isoladamente do que com a UE.
Sul21 – Mas logo que deu o golpe já surgiram possíveis negociações de acordo entre o Paraguai e potências.
Samuel Pinheiro Guimarães – Há dentro dos próprios países do Mercosul, grupos que pretendem se alinhar com países de fora.
Sul21 – O senhor vê neste isolamento do Paraguai uma possibilidade de eles deixarem o Mercosul?
Samuel Pinheiro Guimarães – Eles têm todo o direito. O Paraguai é um país soberano. Eles podem ter esta ilusão.
Sul21 – No relatório o senhor diz que falta difusão de notícias sobre o Mercosul. Que ações o senhor destacaria que foi realizada pelo Mercosul e que não foram devidamente divulgadas?
Samuel Pinheiro Guimarães – Vou lhe dar dois exemplos. O Paraguai é proprietário de metade da Usina de Itaipu. No entanto, até hoje falta luz periodicamente na capital paraguaia, porque não uma linha de transmissão entre a usina e Assunção. Com os fundos do FOCEM está sendo construída – não é empréstimo, é de graça – uma linha de transmissão a um custo de US$ 500 milhões. Isto vai transformar a economia paraguaia. Vai permitir que o Paraguai se industrialize, porque sem energia não há indústria. Isto é uma coisa importantíssima que nunca foi divulgada. Está sendo construída a linha de conexão elétrica entre Brasil e Uruguai, que permite resolver os problemas de energia do Uruguai, que são também importantes. Está sendo recuperada toda a rede ferroviária do Uruguai, que é extremamente importante para o transporte de madeira. Isto não se diz nos jornais. O que se noticia são pequenos incidentes, retenção de mercadorias. Mesmo assim, o comércio é extremamente elevado.
Sul21 – O senhor acha que a grande imprensa não tem muito interesse no Mercosul?
Samuel Pinheiro Guimarães – Não, a grande imprensa não tem nenhum interesse em que o Mercosul seja um sucesso. Procura sistematicamente dizer que o Mercosul é um fracasso. Deveriam ficar satisfeitos com a suspensão do Paraguai. Não ficam satisfeitos por causa do ingresso da Venezuela, não por causa do Paraguai. A grande imprensa tem uma visão diferente sobre a economia internacional, tem uma visão tradicional, tem uma visão que corresponde à das grandes potências, de total liberdade de comércio, e assim por diante. Então, um grupo de países que procura negociar numa posição mais forte com os EUA não interessa à grande imprensa. Acham que o Brasil deveria negociar sozinho e, portanto, mais fraco.
COMENTÁRIOS:
http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/68641/%E2%80%9CN%C3%A3o-h%C3%A1-compreens%C3%A3o-da-import%C3%A2ncia-do-Mercosul%E2%80%9D.htm
Luiz Antonio --  O único objetivo do Merdasul tá sendo proteger seus ditadores de "golpes" que a democracia possa lhes aplicar.
Catãozinho dos Pinheirais --  Luiz Antonio, A democracia que aplica golpes não existe. E governantes eleitos pelo povo, muito embora tenham suas eleições questionáveis não podem ser chamados de "ditadores". Cada um......
Bóson de Higgs --  É óbvio que não interessa ao "Tio Sam" que a América Latina se una. Uma América Latina unida e forte torna difícil o contrôle norteamericano. Aos Estados Unidos o que interessa é ter-nos eternamente subjugados e reféns dos seus interesses. É dessa maneira que sempre nos foi vedada a aproximação com outros mercados. É importante saber disso para entender o porque de tantos golpes.
Pierluigi --  Gente. Vamos deixar de lado indivíduos como esse tal de Luiz Antonio que não sabe nada de história e pensa pequeno. Coisa de tchutchukanodemo! Os congressistas golpistas do Paraguai "pensam" que os demais países do Mercosul vão continuar com suas ajudas. Estão muito enganados. A Venezuela já adiantou haver cortado o fornecimento de petróleo e que era a preço subsidiado. As obras que o organismo FOCEM (Mercosul) vinha patrocinando deverão sofrer paralisação até a eleição de um novo governo paraguaio. E que ele seja democrático, senão! Os congressistas paraguaios querem é aliar-se aos EUA. Já permitiram a instalação de base militar ianque em seu território. O Mercosul precisa reagir rápida, forte e silenciosamente. Fechar, discretamente, as fronteiras sob a justificativas de contrabando de produtos e de drogas. Nem a energia elétrica que eles consomem da Usina de Itaipu é paga. Estão inadimplentes. Deixemo-los ficar a tocar guarânias para verem o que é bom! Paraguai é como o inseto "cigarra". Contam muito e necas de trabalhar.

domingo, 8 de julho de 2012

Campanha contra Assange quer esconder o triunfo da Wikileaks

No momento em que Julian Assange evitou ser preso ao refugiar-se na embaixada equatoriana em Knightsbridge, para escapar à extradição para a Suécia, e possivelmente para os EUA, os comentadores britânicos atacaram-no com as mais estridentes ofensas. Graças à Wikileaks, foi tornada pública muito mais informação sobre o que fazem e pensam os EUA e os seus aliados, do que em qualquer momento anterior. O artigo é de Patrick Cockburn.
Patrick Cockburn - The Independent
No momento em que Julian Assange evitou ser preso ao refugiar-se na embaixada equatoriana em Knightsbridge, para escapar à extradição para a Suécia, e possivelmente para os EUA, os comentadores britânicos atacaram-no com as mais estridentes ofensas. Quase espumaram de raiva ao citar insignificantes exemplos da sua suposta deselegância, ego inflamado e aparência, como se de crimes se tratassem.

Estas críticas dizem muito mais do convencionalismo e do instinto de manada dos opinadores britânicos do que de Assange. Em tudo isto, ignoram o seu feito, como fundador da Wikileaks, ao publicar telegramas do governo dos EUA, dando às pessoas em todo o mundo a possibilidade de ficarem a conhecer o real comportamento dos seus governos. Tal conhecimento público é o âmago da democracia, porque é preciso informar adequadamente os eleitores para que eles sejam capazes de escolher os representantes que levem adiante os seus desejos.

Graças à Wikileaks, foi tornada pública muito mais informação sobre o que fazem e pensam os EUA e os seus aliados, do que em qualquer momento anterior. As únicas revelações que se lhe assemelham foram a publicação dos tratados secretos pelos bolcheviques em 1917, incluindo planos de França e Grã-Bretanha para modelar o mapa do Médio Oriente. Um paralelo mais óbvio é o da publicação dos Documentos do Pentágono graças a Daniel Ellsberg, em 1971, revelando as mentiras sistemáticas da administração Johnson sobre o Vietnã. Da mesma forma que Assange, Ellsberg foi vilipendiado pelo governo dos EUA e ameaçado com a mais severa punição.

Um aspecto extraordinário da campanha contra Assange é que os colunistas da imprensa sentem-se completamente à vontade para produzir milhares de palavras sobre as suas alegadas faltas, sem nunca sequer mencionarem os muito mais sérios crimes de Estado revelados pela Wikileaks. Todos estes críticos, e os leitores que concordam com eles, deviam antes ligar o Youtube e observar um vídeo de 17 minutos registado pela tripulação de um helicóptero Apache em Bagdade ocidental em 12 de julho de 2007. Mostra a tripulação do helicóptero metralhando até à morte pessoas no solo, na crença de de que são todos rebeldes armados. 
De fato, não consigo ver quaisquer armas, e o que num momento foi identificado como arma revelou-se ser a câmara de um jovem fotógrafo da Reuters, Namir Noor-Eldeen, que foi morto junto ao motorista, Saeed Chmag. O vídeo mostra o helicóptero chegando para um segundo ataque a um veículo que se detivera para recolher os mortos e os feridos. O motorista morreu e duas crianças ficaram feridas. Ah! Ah!, acertei-lhes, grita um dos tripulantes americanos triunfantemente. “Olhem para esses bandidos mortos”.

Eu estava em Bagdad quando ocorreu o tiroteio e recordo, na altura, tal como outros jornalistas, de não acreditar nas alegações do Pentágono de que os mortos eram todos rebeldes armados, mas não podíamos prová-lo. Não havia multidões de rebeldes armados nas ruas, à vista de toda a gente, com um helicóptero americano a andar por perto. A existência de um vídeo do massacre tornou-se conhecida, mas o Departamento de Defesa recusou-se terminantemente a divulgá-lo sob o Freedom of Information Act. A história oficial do que aconteceu não teria sido contestada efetivamente se um soldado americano, Bradley Manning, não tivesse entregue um vídeo à Wikileaks, que o divulgou em 2010.

Os telegramas obtidos pela Wikileaks foram publicados mais tarde, ainda naquele ano, em cinco jornais – The New York Times, The Guardian, Le Monde, Der Spiegel e El País – mas a resposta ao próprio Assange foi surpreendentemente malévola e desdenhosa. Os jornalistas pareciam zangados por o seu território profissional ser invadido por um especialista informático australiano que estava a fazer um bom trabalho.

Isto em si não teria sido suficiente para que uma parcela tão grande da mídia declarasse aberta a temporada de caça a Assange. O que provocou a diferença foram as alegações de violação feitas na Suécia. Alegações de violação destroem uma reputação, por mais que as provas sejam fracas ou não existentes. Quanto à sugestão de que Assange exagerou as possibilidades de ser extraditado para os EUA a partir do momento em que entrasse na Suécia, a questão a saber é quem arriscaria nem que fosse cinco por cento de possibilidades de que o seu vôo para Estocolmo pudesse acabar em 40 anos de prisão numa cela dos EUA?

Alguns adotam a linha oficial de que as fugas de informação “puseram vidas em risco”. Este lobby começou a calar-se quando representantes do Pentágono admitiram, off the record, que não tinham quaisquer provas de que alguém tivesse sido prejudicado de qualquer forma.

Uma resposta mais desdenhosa foi a de que as revelações da Wikileaks não eram tão secretas quanto isso e que os documentos a que Bradley Manning teve acesso não tinham a classificação mais secreta. Outra questão foi-me colocada por um diplomata americano em Cabul, onde eu estava na altura da publicação dos telegramas. Disse o diplomata: “Não vamos conhecer os maiores segredos através da Wikileaks, porque esses já foram divulgados pela Casa Branca, pelo Pentágono ou pelo Departamento de Estado.

Na prática, os documentos da Wikileaks são amplamente informativos acerca do que fazem os EUA e como realmente veem o mundo em que vivemos. Por exemplo, há um telegrama enviado pela embaixada americana em Cabul em 2009 descrevendo o primeiro-ministro Hamid Karzai como um “indivíduo paranoico e fraco, que tem pouca familiaridade com as questões básicas de construção de uma nação.”

Especialistas de Afeganistão comentaram que as falhas de Karzai dificilmente seriam notícia. Esqueceram-se de que há uma grande diferença entre o que o mundo exterior suspeita e o que é confirmado pelos que têm acesso diário ao líder afegão. Aqui estavam experientes funcionários dos EUA dando a sua verdadeira opinião sobre o homem pelo qual americanos e britânicos estavam a combater e a morrer para que se mantivesse no poder.

Todos os governos caem num certo grau de hipocrisia entre o que dizem em público e em privado. Quando é reivindicada abertura democrática sobre ações gerais e políticas, fingem que estão a enfrentar um apelo à transparência total que iria evitar um governo efetivo.

O que o governo americano queria esconder acerca do Afeganistão não era apenas uma embaraçosa avaliação negativa de Karzai, o seu principal aliado local. Era que não tinha um parceiro local afegão credível e, portanto, não podia ganhar a guerra contra os taliban.

Assange e a Wikileaks desmascararam não só as reticências diplomáticas no interesse de garantir o funcionamento do governo, mas a duplicidade para justificar guerras perdidas nas quais dezenas de milhares morreram. A história recente mostra que este segredo oficial, frequentemente auxiliado por jornalistas “embedded”nos exércitos, funciona demasiado bem.

No Iraque, nos meses anteriores às eleições presidenciais de 2004, as embaixadas estrangeiras em Bagdad sabiam e informavam que os soldados dos EUA estavam apenas agarrados a ilhas de território, no meio de uma terra hostil. Mas a administração Bush conseguiu persuadir os eleitores que, pelo contrário, as tropas americanas estavam a lutar e a vencer uma batalha para estabelecer a democracia contra as réstias do regime de Saddam Hussein e os apoiantes de Osama bin Laden

O controle estatal da informação e a capacidade de manipulá-la torna em grande parte sem sentido o direito de voto. É por isso que pessoas como Julian Assange são tão essenciais a uma escolha democrática.

(*) Tradução de Luis Leiria para o 
Esquerda.net

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Afinal, quem é esse tal de Francisco?

Francisco 
Comentário postado no http://www.brasil247.com/ em 3.07.2012
O Perfeito Idiota Brasileiro PIB. Chamemos de PIB. O Perfeito Idiota Brasileiro. Vamos descrever o dia do PIB. Vinte e quatro horas na vida de um PIB para que os pósteros, a posteridade, tenham uma idéia do Brasil de 2012. Ele acorda às sete horas da manhã. Tem que preparar o próprio café da manhã. Já faz alguns anos que sua mulher parou de fazer isso para ele, e ficou caro demais para ele pagar uma empregada doméstica. Ele lamenta isso. Era bom quando havia uma multidão de nordestinas sem instrução nenhuma que saíam de suas cidades por falta de perspectiva e iam dar no Sul, onde acabavam virando domésticas. PIB dá um suspiro de saudade. Chegou a ter uma faxineira e uma cozinheira nos velhos e bons tempos. Num certo momento, PIB percebeu que as coisas começaram a ficar mais difíceis. Havia menos mulheres dispostas a trabalhar como domésticas, e os salários foram ficando absurdos. Para piorar ainda mais as coisas, ao contrário do que sempre acontecera, a última empregada de PIB recusou votar no candidato que ele indicou. Mulherzinha metida. Foi por coisas assim que PIB aderiu ao movimento Cansei, ao lado de ativistas notáveis como Boris Casoy, Hebe Camargo, Agnaldo Rayol e João Dória Júnior. Empolgante o Cansei. PIB quase fora a uma manifestação. Só desistiu porque era sábado e sábado a feijoada era sagrada. O protesto com certeza fora um sucesso. O povo unido jamais será vencido. PIB tomou o café na cozinha, com o Globo nas mãos. Assinava o jornal fazia muitos anos. Se todos os brasileiros fossem como o Doutor Roberto Marinho, PIB pensou, hoje seríamos os Estados Unidos. Bonito o choro do Bonner ao anunciar no Jornal Nacional a morte de Roberto Marinho. Por que ainda não ergueram estátuas para ele? Com o Globo, PIB iniciou sua sessão de leituras matinais. Mais ou menos quarenta minutos, antes de ir para o escritório. Leu Merval. Quer dizer, leu o primeiro parágrafo e mais o título porque naquele dia o texto, embora magnífico, estava longo demais. Havia um artigo de Ali Kamel. “Um cabeça”, pensou PIB. “Deve ter o QI do Einstein.” Mas também aquele artigo –embora brilhante, um tratado perfeito sobre o assistencialismo ou talvez sobre o absurdo das cotas, PIB já não sabia precisar — parecia um pouco mais comprido do que o habitual. Deixou para terminar a leitura à noite. PIB vibrou porque, se não bastassem Merval e Kamel, havia ainda Jabor. Um gênio. Largou o cinema para iluminar o Brasil com sua prosa espetacular. Um verdadeiro santo. Podia estar com a sala da casa cheia de Oscar. Começou a ler Jabor e refletiu. “Impressão minha ou hoje aumentaram o tamanho do Jabor?” PIB sacudiu a cabeça, na solidão da cozinha, num gesto de reverência extrema por Jabor, mas também achou melhor deixar para ler mais tarde. Era seu dia de sorte. Também o historiador Marco Antônio Villa estava no Globo. “Os primeiros 18 meses do governo Dilma foram fracassos sobre fracassos” era a primeira linha. Bastava. Villa sempre surpreendia com pensamentos que fugiam do lugar comum. Como uma terrorista chegou ao poder? Bem, tenho que comprar algum livro de história do Villa. Ele com certeza escreveu vários. Completou a sessão de leituras da manhã na internet. Leu Reinaldo Azevedo. Quer dizer, naquela manhã, leu um parágrafo. Na verdade, metade. Menos. O título. Não importava. Azevedo era capaz de mesmerizar toda uma nação com a luz cintilante de meia dúzia entre milhares de linhas que produzia incessantemente. PIB deixava escapar um sorriso de admiração a cada vez que li a palavra “petralha” em Azevedo. Rei é rei. Um cabeça pensante. Por que será que não ocorreu a nenhum presidente da República contratar esse homem como assessor especial? Se o Brasil bobear, a Casa Branca vem e contrata. Debate é assim.Medalhinha. Chamar um tal de Nassif de Nassífilis. PIB julgava FHC um banana. Não sabia debater. Bananão. Como FHC podia dizer coisas assim? “Eu não estou aqui para ver o PT se arrebentar. O Brasil precisa de partidos que tenham uma certa história, e o PT tem.” Isso em 2005, quando era o momento de derrubar o lulopetismo. E essa outra? “Por que o mensalão se tornou conhecido? Porque o Roberto Jefferson teatralizou o mensalão.” E essa então? “O Lula, ao invés de renunciar e desistir, disse: eu vou brigar. O Lula foi decisivo naquele momento, em dissipar o mensalão.” Ba-na-não! Graças a Deus já passou dos 80 e não pode mais atrapalhar o Brasil. O campo ficou livre para o Serra e o Aécio! Ainda na internet, uma passagem pelo Blog do Noblat. Naquele dia, no blog havia uma coluna assinada por Demóstenes. PIB deu parabéns mentais a Noblat por abrir espaço a Demóstenes, nosso campeão mundial da moralidade, nosso Catão. PIB guardara um texto de Demetrio Magnolli, outro cérebro avançado, em que este prestava um justo tributo à nossa reserva moral no senado. Saíra na edição das 100 pessoas mais influentes da revista Época. Anotou um trecho: “Não é preciso concordar com tudo que ele fala ou faz para homenageá-lo. Demósteneses não é mais um comerciante num mercado em que se trafica influência em troca de cargos ou privilégios. Ele tem princípios e convicções.” Por que falam tanto do tal do Assange e do Wikileaks quando temos tantos caras muito melhores? A caminho do trabalho, PIB ligou na CBN. Ouviu uma entrevista com o filósofo Luiz Felipe Pondé. “Meu pequeno carro não contribui para o aquecimento do planeta”, disse Pondé, o nosso Sócrates, o Aristóteles verde-amarelo. Pondé ganhara imediatamente a admiração de PIB quando reclamara dos pobres que estavam congestionando os aeroportos. A última vez que viajara para Miami ficara revoltado com as pessoas inferiores que iam voar. Bem, preciso anotar aquela. Meu pequeno carro não contribui para o aquecimento global. Isso o levou a reparar nos ciclistas nas ruas de São Paulo. Cada dia parecia haver mais. Mau sinal. Havia muitas bicicletas no trajeto. PIB sentiu vontade de atropelá-las em grupo e fazer um strike. Odiava ciclistas. Atrapalhavam os motoristas. Tivera vontade de vomitar quando vira a foto de um ciclista inglês de bunda de fora — branca e mole como um pudim — numa marcha nudista por mais espaço e segurança em Londres para as bicicletas. Abria uma única exceção: Soninha. Desde que ela continuasse a posar pelada em nome das bicicletas. Hahaha. Hohoho. Na CBN ouviu também informações e comentários sobre o mundo. “Prestígio em Paris dá vantagem a Sarkozy nas eleições presidenciais”, a CBN avisou. PIB admirava Sarkozy. Proibir a burca foi um gesto histórico. As muçulmanas deveriam ser gratas a Sarkozy. Elas haveriam de votar maciçamente nele para dar a ele o segundo mandato para o qual a CBN dizia que ele era o favorito. Os maridos obrigam as coitadas a usar burca. O tema do islamismo estava ainda em sua mente quando se instalou em seu cubículo de gerente na empresa. PIB refletiu sobre o mundo. Tinha lido em algum lugar que no Afeganistão as pessoas queriam que os soldados americanos fossem embora. Os afegãos estavam queimando bandeiras dos Estados Unidos. A mesma coisa estava ocorrendo no Iraque. E no Iêmen. Em todo o Oriente Médio, fora Israel. Ingratos. Como eles não percebem que os Estados Unidos estão lá para promover a democracia e levar a civilização? Os americanos estão acima de interesses mesquinhos por coisas como o petróleo. Era um perigo o avanço muçulmano. Não que apoiasse, mas PIB entendia o norueguês que matara 77 pessoas por considerar que o governo de seu país era leniente demais com os muçulmanos. A raça branca está em perigo. Entretido em salvar a raça branca, PIB não percebeu o tempo passar. Só notou pela fome que já era hora de comer. A opção, mais uma vez, foi pelo Big Mac do shopping, e mais a Coca dupla. Detestava os ativistas dos direitos dos animais porque combatiam os Big Macs. PIB estava tecnicamente obeso, mas na semana que vem iniciaria uma dieta e começaria também a se exercitar. Fim do expediente. A estagiária estava com um decote particularmente ousado. Talvez estivesse sem sutiã. PIB a chamou algumas vezes para discutir assuntos que na verdade não tinham por que ser discutidos. A questão era olhá-la. Valeu o dia, refletiu. Home office é uma bobagem porque não permite esse tipo de coisa: olhar para meninas gostosas no escritório. Na volta, mais uma vez foi tomado pela tentação de atropelar os ciclistas. “Quando você deseja muito uma coisa, todo o universo conspira a seu favor”. PIB se lembrou da frase de seu escritor favorito, Paulo Coelho. Então ele desejou muito que as bicicletas sumissem. Xiitas. Algum colunista escrevera isso sobre os ciclistas. PIB não lembrava quem era, mas concordava inteiramente. Os ciclistas são gente esquisita que deve fazer ioga e praticar meditação, suspeitava PIB. Tudo gay! Já incorporara para si mesmo a frase genial de Pondé. Meu carro pequeno não contribui para o aquecimento global. No churrasco de domingo, ia soltar essa. Teve um breve lapso de inquietação quando se deu conta de que os brasileiros que tanto contribuíam para a elevação do pensamento nacional já não eram tão novos assim, O próprio Merval era imortal apenas pela sua contribuição às letras, reconhecida pela Academia. Então lhe veio à cabeça a juventude sábia e influente de Luciano Huck, e ficou mais sossegado. A mulher não percebeu quando ele chegou. Não era culpa dela. A televisão estava ligada com som alto na novela da Globo. PIB lera várias vezes que as novelas tinham uma “missão civilizadora” no Brasil. Mais uma dívida dos brasileiros perante Roberto Marinho: a perpetuação das novelas cvilizadoras. A mídia impressa brasileira reconhecia a missão civilizadora na forma de uma cobertura maravilhosa das novelas. Uma vez um leitor da Folha reclamou por encontrar na Ilustrada seis artigos sobre novelas. O brasileiro só sabe reclamar. E reivindicar. Uma besta! PIB deu um alô que não foi ouvido. Ou pensou ter dado. Sentou ao lado da mulher, e o silêncio confirmou para ele sua tese: depois de muitos anos de casamento as pessoas se entendem tão bem que não precisam trocar uma só palavra. Nem se tocar. É quando o casamento chega ao estágio da perfeição: ninguém tem que fazer nada. É o estágio superior em que o matrimônio se santifica pela ausência do sexo. A cada quinze dias, PIB tomava Viagra e descarregava as tensões sexuais com uma escorte que cobrava 400 reais. Tá barato. Um dia ela topa beijar! Não ligava muito para as novelas civiizadoras. Mas soubera no escritório que Juliana Paes aparecia de vez em quando pelada. Passou por sua cabeça um pensamento rápido. Talvez eu devesse pedir para a patroa me avisar quando a Juliana Paes ficar sem roupa. Terminada a novela, era a sua vez na televisão. Futebol. Bacana o futebol passar bem tarde, depois da novela. Provavelmente a Globo pensara nisso para ajudar os pobres que moravam longe e demoravam horas para chegar em casa depois do trabalho. “Boa noite, amigos da Globo!” A voz do Brasil se apresentou. “The voice”, pensou PIB em inglês. Um carisma total o Galvão. Subaproveitado. Devia estar no Ministério da Economia, e não narrando escanteios e tiros de meta. PIB lera que Galvão estava morando em Mônaco. Sabichão. Ficava muito mais fácil, assim, cobrir a Fórmula 1. Nunca alguém da estatura moral de Galvão optaria por Mônaco para não pagar imposto. Galvão certamente faria bonito na Dança dos Famosos de seu amigo Fausto Silva, o Faustão, outro civilizador, especulou PIB em sua mente criativa. PIB não torcia a rigor para time nenhum. Era, essencialmente, anticorintiano. Com seu segundo saco saco de pipocas na mão, viu, contrariado, o Corinthians vencer. Amanhã os boys vão estar insuportáveis. PIB queria muito ver o Jô. Era um final de dia perfeito, ainda mais porque antes havia o aperitivo representado por William Waack. PIB achava um privilegio poder ver Waack não apenas na Globo como na Globonews. Os Marinhos podiam cobrar pela Globonews, mas não faziam isso para proporcionar cultura de graça aos brasileiros. PIB zapeava quando Waack dava suas lições na televisão, em busca quem sabe de uma mulher pelada no horário tardio, mas os fragmentos que pescava eram suficientes. Jô. Não posso perder Jô. Uma enciclopédia. Podia ser editorislista do Estadão. Hoje ele vai entrevistar o Mainardi! Manhattan Connection era simplesmente obrigatório, embora PIB o dividisse com vários outros enquanto manejava o controle remoto. Outro dia PIB vira um cara que merecia atenção: Marcelo Madureira. Com sua memória fotográfica, PIB instantaneamente o reconheceu: trabalhara como humorista na Praça da Alegria. Ou na Zorra Total? PIB bem que queria ver Jô. Ou pelo menos incluí-lo no zapeamento. Duas palavras de Jô valiam por mil das pessoas normais. Faziam você pensar e, além do mais, rir porque o cara tinha um estoque ilimitado de piadas. Não vejo graça nenhuma no Woody Allen. Mas em compensação o Jô! Mas não foi possível ver o gordo que ensina e alegra milhões de brasileiros. PIB acabou dormindo no sofá, do qual sua mulher achou preferível não o tirar, e onde ele roncou tão alto quanto o som da tevê — e teve, como sempre, o sono límpido, impoluto, irreprochável dos perfeitos idiotas.

Massacre que levou à queda de Lugo pode ter sido planejado

04 de julho de 2012
Conflito entre sem-terra e policiais deixou 17 e mortos e provocou a crise política que culminou com a queda de Lugo. Foto: AP 
O massacre de Curuguaty, que foi o estopim para a destituição do presidente paraguaio Fernando Lugo, pode ter sido parte de um plano político desestabilizador e que o ataque dos sem-terra a policiais "estava previsto", disse nesta quarta-feira o ministro do interior do país, Carmelo Caballero, em um relatório sobre o caso entregue à presidência, informa o siteParaguay.com.
Caballero se reuniu na manhã desta quarta-feira com o presidente Fernando Franco e lhe comunicou os resultados de uma investigação sobre o caso. Segundo ele, o massacre pode ter sido parte de um plano elaborado por políticos para derrubar o então presidente Fernando Lugo.
"Pode ter sido parte de um plano desestabilizador, de um plano para gerar algum tipo de crise e pode ter tido outro foco de atuação posteriormente. Por isso estamos trabalhando para detectar outros focos, inclusive provenientes de instituições públicas", disse Caballero à rádio Cardinal. O ministro indicou que o ataque, ou emboscada aos policiais, "estava previsto". "Alguém treinou os ocupantes de Curuguaty", disse na entrevista.
Além disso, o ministro afirmou que não há provas nem informações consistentes de que membros do grupo do Exército do Povo Paraguaio (EPP) no local em 15 de junho, quando seis policiais e 11 sem-terra morreram em um enfrentamento.

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5876654-EI20486,00-Massacre+que+levou+a+queda+de+Lugo+pode+ter+sido+planejado.html